Vida e Ficção

15 Fevereiro, 2009

Teorias da conspiração

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 1:07 pm
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Brasileira é torturada por neonazistas na Suíça: assim sai a manchete no primeiro dia, sobre o caso da advogada Paula Oliveira.

No segundo dia, preparamos um extenso material sobre xenofobia, íamos pegar mais pesado, denunciar o descaso das autoridades da Suíça… quando vem o primeiro sinal de alerta: parece que a história não é bem essa, dizem fontes diplomáticas brasileiras, de Zurique e de Brasília. Nada é dito oficialmente, mas nosso discurso é obrigado a mudar.

Publicamos algo como “Suíça questiona versão de advogada brasileira” – e todos os “atacada por neonazistas” viram “supostamente atacada”; “abortou” é substituído por “teria abortado”.

Viramos então alvo de críticas: que absurdo, compactuamos com a omissão suíça! Por que alguém invetaria tal história?!, nos perguntam. Eu não sei, não tenho como saber, e não cabe a mim especular. O fato é que publicamos as informações que temos.

Um amigo me diz: pode ser que a Suíça, preferindo evitar manchaas à sua reputação, tenha coagido as autoridades brasileiras a negar tudo! Afinal, eles têm dados de contas de secretas de centenas de políticos brasileiros, têm os nossos poderosos em suas mãos…

A suposição me parece absurda, mas confesso que tão absurda quanto uma mulher fingir um ataque por neonazistas e um aborto… Mas, na falta de informações que suportem o segundo absurdo, ficamos mesmo com o primeiro absurdo.

E no terceiro dia, também a imprensa brasileira passa a duvidar do caso: Evidências apotam para autoflagelação.

10 Fevereiro, 2009

Surdez: A linguagem do amor

Arquivado em: na Vida, no Jornal — by vidaeficcao @ 7:46 pm
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Um dia fui pra rua fazer uma reportagem que acabou nunca sendo publicada. Mas a história dessa comunicação mãe e filho é boa e merece registro. Então, aqui está:

Para conseguir se comunicar com o filho pequeno, Ana Lice de Matos precisou usar criatividade. Thiago teve meningite quando tinha 4 meses de idade e perdeu quase toda a audição. Juntos, mãe e filho criaram alguns códigos próprios, que atendiam bem as necessidades do dia-a-dia. “Mas às vezes ele queria me falar alguma coisa que eu não conseguia entender de jeito nenhum. Ele tinha só 3 anos, mas ficava furioso, batia porta, jogava coisas no chão”, conta Ana Lice.

Aos 5 anos, Thiago conseguiu vaga em uma escola especial para surdos. Lá, antes de aprender o português, ele aprendeu libras, a linguagem dos surdos, e hoje, aos 9 anos, consegue expressar tudo o que deseja. “Ele está muito mais calmo. Antes, as pessoas achavam que ele tinha alguma outra deficiência, de tão difícil que era o comportamento dele.”

Ana Lice também passou a freqüentar a escola para conseguir conversar com o filho. “Já falo bastante coisa em libras, mas ainda estou aprendendo. Agora vou numa aula de sábado na igreja”, conta a mãe. O menino fez tratamento com fonoaudiólogo por dois anos e sabe falar algumas palavras. Mas como as vagas gratuitas são limitadas e a família não tem dinheiro para pagar o tratamento particular, tudo o que ele aprende é mesmo na escola.

Thiago diz adorar o colégio, onde além de estudar libras e todas as disciplinas das escolas regulares, ele também assiste a filmes e desenhos traduzidos pelos professores. Mas apesar de todo o carinho que recebe na escola especial, o menino não se fecha os amigos também surdos. Ele convive bem com crianças da sua idade sem deficiência, diz a mãe. “Enfio ele no meio da criançada ouvinte para ele saber se virar sozinho. Só me meto se dá alguma briga por problema de comunicação.”

17 Outubro, 2008

Receita – macarrão light

Arquivado em: na Vida, no Jornal — by vidaeficcao @ 6:08 pm
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Em vez de massa, dá pra fazer um “macarrão de abobrinha”. Não, não é uma massa de abobrinha, e a substituição da massa pelo legume como ele é.  Super fácil, como tudo o que eu cozinho.

Para duas pessoas:3 abobrinhas

- Pegar um descascador de legumes e cortar fatias da abobrinha ao cumprido até chegar nas sementes (descartar as sementes)
- Cozinhar as tiras em água fervendo durante 8 minutos
- Escorrer e colocar o molho de sua preferência

Essa receita aprendi graças ao meu trabalho, lendo The New York Times!!! E tem gente que ainda acha besteira ler jornal…

2 Outubro, 2008

Dicas para um texto jornalístico

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 3:46 pm
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Durante 4 anos de faculdade de jornalismo, a gente acaba aprendendo muita coisa -  e muita coisa inútil. Mas umas poucas normas básicas de redação ajudam a deixar o texto mais claro para o leitor.

A primeira e mais importante é: não enrole! Diga logo o que você quer dizer, de cara. A menos que esteja escrevendo um livro policial, não faça muitos mistérios.

2ª: sempre que citar um termo específico, vale a pena dar uma explicação breve. Por exemplo: “A milícia islâmica Al-Qaeda” em vez de escrever simplesmente “Al-Qaeda”. Por mais que você acredite que todo mundo do mundo conhece a milícia islâmica, você pode estar errado. Então, não corra o risco de deixar alguém boiando.

3ª: seja simples e breve. Se o texto estiver bem estruturado, você pode abandonar lado expressões e construções rebuscadas. Prefira sempre frases na ordem SUJEITO -> VERBO -> PREDICADO.

Por fim: não siga nenhuma dessas regras estritamente. As recomendações servem para escrever um texto que quer simplesmente mandar um recado, ou seja, quando o foco é no conteúdo. Se a idéia é fazer graça, por exemplo, a forma é muito mais importante. Aí, cada um que encontre a sua fórmula.

21 Setembro, 2008

HRW off records

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 4:15 pm
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Na quinta-feira, o doido do preisdente venezuelano, Hugo Chávez, fez mais uma vez o que ele sabe fazer melhor: causar.

O Human Rights Watch divulgou um relatório sobre a Venezuela, bem crítico, claro, e ele resolveu revidar. Correu para expulsar os executivos da entidade. José Miguel Vivanco e Daniel Wilkinson iriam voltar aos Estados Unidos na sexta de manhã, mas foram obrigados a embarcar num avião para São Paulo na noite de quinta.

A imprensa do mundo inteiro resolveu entrevistá-los. Lá fui eu atrás dos caras. E, apesar do absurdo da situação, eles não perderam o bom humor. Na confusão da expulsão, os militares arrancaram um botão da camisa do Wilkinson. Quando perguntei sobre isso, ele brincou: “Agora estou preocupado sobre como vou explicar para a minha mulher. Tenho mais medo dela que do Chávez”.

6 Setembro, 2008

Seis lições de felicidade, por Tal Ben-Shahar

Arquivado em: na Vida, no Jornal — by vidaeficcao @ 9:02 pm
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Um vez fiz uma matéria com um professor de Psicologia Positiva de Harvard – em toda a universidade, foi a matéria foi a que mais teve alunos inscritos em 2006.

Segundo ele, a Psicologia positiva é um ponto de encontro das lições dos livros de auto-ajuda (mas na auto-ajuda padrão não há fundamentação científica) com o conhecimento acadêmico da psicologia (mas que em geral não tem aplicação prática na vidas das pessoas comuns).

Daí, ele me passou 6 lições básicas para ser feliz:

1 – Permita-se ser humano
Aceite suas emoções, mesmo as ruins, como naturais. Nossa cultura é obcecada pelo prazer, mas há algo de errado conosco se, de vez em quando, não sentirmos tristeza ou ansiedade.

2 – A felicidade está na junção de prazer e significado
O ideal é fazer atividades, em casa e no trabalho, que sejam ao mesmo tempo prazerosas e pessoalmente significativas. Se não for possível, reserve algumas horas na semana para elas.

3 – A felicidade é um estado de espírito
Após supridas as necessidades básicas, bens materiais e status pouco influenciam na felicidade. O que importa é o foco que escolhemos, nossa interpretação dos eventos externos.

4 – Simplifique
Somos muito ocupados, tentamos fazer mais e mais coisas no mínimo tempo possível. A quantidade influencia a qualidade. Comprometemos nossa felicidade tentando fazer coisas demais.

5 – Lembre-se da ligação corpo-mente
O que fazemos – ou deixamos de fazer – com nossos corpos influencia nosso espírito. Exercícios regulares, sono adequado e boa alimentação levam à saúde tanto física como mental.

6 – Expresse gratidão
Diga “obrigado” sempre que possível. Aprenda a apreciar as coisas maravilhosas que a vida oferece, sejam elas uma comida gostosa ou as pessoas que amamos, a natureza ou um sorriso.

5 Setembro, 2008

Presidente dos EUA: profissão perigosa

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 8:14 pm
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Na minha segunda reportagem na editoria nova, cometo logo um erro de informação. Um leitor atento e simpático me mandou um email avisando. Ele aproveitou também para falar do grande número de presidente americanos que morreram enquanto exerciam o cargo.

Ao todo foram 8, sendo que 4 morreram de causas naturais William Harrison, Zachary Taylor, Warren Harding e Franklin Roosevelt) e 4, assassinados (James Garfield, Abraham Lincoln, William McKinley e John Kennedy)

E ainda 7 vices faleceram enquanto exerciam seu, digamos, cargo(?)* de vice. Foram George Clinton (pres. James Madison), Elbridge Gerry (pres. James Madison), William King (pres. Franklin Pierce), Henry Wilson (pres. Ulysses Grant), Thomas Hendricks (pres. Grover Cleveland), Garret Hobart (pres. William McKinley) e James Sherman (pres. William Taft).

De qualquer forma, ser presidente ou vice dos EUA me parece uma profissão bem perigosa. Obama e McCain que se cuidem.

* vice-presidente é o cara que não faz nada além de esperar. isso lá é cargo?! mas também não encontrei nome melhor

28 Agosto, 2008

Morte antecipada

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 11:34 pm
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Hoje a agência de notíticas Bloomberg publicou por engano (ops!) um obituário de Steven Jobs, o presidente da Apple.  Claro, o erro de 17 páginas foi rapidamente “apagado”. Mas aí já era tarde demais.

Não é segredo: o procedimento padrão nas redações é preparar antecipadamente material biográfico de figuras importantes que estejam velhas ou doentes (Jobs está doente). O antigo papa, por exemplo, ficou com seu obituário esperando alguns anos na gaveta. Neste momento, todos mantém o Fidel sempre à mão. Pode parecer crueldade, mas prefiro chamar de preparação. A cobertura de uma eleição a gente pode agendar; a de uma morte não. Como fazer se alguém falece faltando 30 minutos pro fechamento?

O jeito é deixar pronto. Mas publicar por engano é um gafe imensa.

Ah, mas o mais absurdo – e o que seria o mais divertido também – ninguém fez.  As “lacunas” de motivo e data da morte apareceram marcadas com “XXXX”.

22 Agosto, 2008

Old news

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 7:17 pm
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Para você, que sentido tem hoje a literatura, que sofre especialmente com a pressão do mercado?
Os romances são os sonhos da humanidade. Sem romances, todos seríamos muito mais loucos. E a literatura em geral, assim como a arte, são as maiores armas que o ser humano dispõe para lutar contra o horror e o caos. Há muita esperança no ato de ler e escrever, esperança na possibilidade de ser entendido e de compreender o outro, esperança na capacidade que temos para comunicarmos, para transmitirmos pensamentos, para compartilhar sentimentos, para criar beleza. A literatura permite que sejamos melhores do que somos. E o mercado não passa de um pequeno acidente nesse percurso.

Rosa Montero, jornalista espanhola, em entrevista para Ubiratan Brasil

19 Agosto, 2008

Bad news good news?

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 8:34 pm
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Costumam dizer que a imprensa só publica coisas ruins, que só critica e que é contra a esquerda. Ok, muitas vezes é assim mesmo. Por tudo isso, vale o destacar esta matéria do dia 19, do Estadão.

Chinaglia corta hora extra

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), recebeu de funcionários da Casa o apelido de “1 para as 7” depois que adotou a regra de encerrar as sessões do plenário antes das 19 horas para não pagar salários extras quando há obstrução e as votações não vão avançar por falta de acordo entre os partidos. Encerrar a sessão antes das 19 horas evita o pagamento de sessão noturna para os funcionários.
A irritação dos servidores pode ser medida em um valor: R$ 450 mil é o que a Câmara deixa de gastar por dia em que a sessão é finalizada antes das 19 horas. Desde que assumiu a presidência da Casa, em fevereiro de 2007, foram economizados R$ 22 milhões somente com a adoção desse procedimento, apenas encerrando as sessões minutos antes das 19 horas.
Chinaglia, assim que assumiu a presidência da Câmara, acabou com uma prática que, muitas vezes, era feita em cumplicidade entre deputados e funcionários. Mesmo sem votação, deputados ficavam fazendo discursos para que a sessão passasse das 19 horas e, com isso, obrigar a Câmara a pagar horas extras. Não era raro o discurso acabar cinco minutos depois do horário, garantindo assim o pagamento da sessão noturna e permitindo que os funcionários chegassem cedo em casa com suas contas bancárias mais abastecidas no fim do mês.
Agora, as sessões só ultrapassam o horário quando realmente há votações que exijam prorrogação do expediente, como ocorre nas quartas-feiras.
Para evitar boicotes à sua decisão, já aconteceu de Chinaglia deixar o gabinete da presidência, atravessar o Salão Verde para correr ao plenário e encerrar a sessão em que menos de meia dúzia de deputados estava presente.

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