Vida e Ficção

6 Outubro, 2008

100 anos sem Machado de Assis

Arquivado em: na USP — by vidaeficcao @ 4:39 pm
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Este semestre estou cursando Literatura Brasileira 4, que só trata de Machado de Assis. Desde a primeira vez que li Machado (minha estréia foi com Dom Casmurro), adorei. Uma das principais qualidades dele é ser muito claro para mostrar sua visão terrivelmente pessimista de mundo. Um texto de Machado é como um tapa na cara!

Estudando o autor, aprendi que, além de tudo que eu já tinha lido e percebido, seus textos contém muito mais. E isso é uma das característica únicas dele: consegue se fazer relevante para todos, seja o intelectual ou um leitor eventual, aquele que lê criticamente ou só por diversão. Seus textos são recheados de citações eruditas, mas, mesmo se você não sabe do que se trata (como eu na maioria das vezes), você não perde o sentido geral.

Ler Machado me faz pensar que é a falsa a idéia de que se tem de escolher: agradar o grande público ou à elite intelectual. Desde sua época, o autor se mostrou capaz de satisfazer a gregos e troianos.

27 Agosto, 2008

Os pequenos sustos de um intercambista

Arquivado em: na Sorbonne, na USP — by vidaeficcao @ 3:57 pm
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Sim, claro, passar um semestre fazendo intercâmbio estudantil na França é maravilhoso. Mas nem tudo são flores se você deseja realmente estudar. Aqui, alguns dos principais sustos que tomei:

Aulas
- Cada disciplina é ministrada segundo o esquema de Aula Magistral (CM, sigla em francês)/ Grupo de Trabalho (TD). A aula magistral é uma espécie de palestra semanal – oferecida em horário único, em um grande anfiteatro, sem lista de presença – e os grupos de trabalho, com classes menores e várias opções de horário, são aulas mais práticas, com mais espaço à participação dos alunos. Esse padrão vale para toda a Europa e o pessoal das secretarias nem imagina que precisa explicá-lo para um estudante estrangeiro (afinal, a maioria dos estudantes intercambistas na universidade vem da Europa). Eu só descobri como funcionava o esquema CM/ TD na segunda semana de aula, conversando com outros alunos.

Metodologia de análises
- Os estudantes franceses chegam ao curso universitário dominando vários padrões de análises e trabalhos, que são: dissertação, comentário composto, comentário comparado, explicação linear. Cada um tem uma estrutura bem rígida e obedecer a esse padrão é determinante para a nota. Como são regras completamente diferentes das utilizadas no Brasil (ao menos das do curso de Letras da USP), foi preciso pedir orientação específica e, mesmo assim, perdi muita nota por errar a “forma”. Apesar da dificuldade, acredito que aprender esse padrão é um bom exercício sobre como organizar o pensamento de várias maneiras – sempre lógicas e claras.

Propostas das disciplinas
- Diferentemente das disciplinas de literatura da USP, a proposta de muitas matérias na Sorbonne privilegia a relação temática entre várias obras em lugar da ligação temporal entre elas. Em Literatura e Sociedade, por exemplo, estuda-se o retrato do povo em quatro obras: duas do século XIX (Noventa e Três, de Victor Hugo, e O Povo, de Michelet), duas do século XX (O Primeiro Homem, de Camus, e Viagem ao Fundo da Noite, de Céline). Em Literatura e Cultura, o fio condutor é o retrato político de várias épocas, segundo autores de correntes políticas diferentes: Lucien Lewen, de Stendhal, L’enfance d’un chef, de Sartre, e Le Feu Follet (sem tradução para o português, mas seria O Fogo-fátuo), de Drieu de la Rochelle.

21 Agosto, 2008

Questionamento do dia

Arquivado em: na USP — by vidaeficcao @ 9:43 pm
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No conto O homem célebre, de Machado de Assis, o protagonista é caracterizado como uma “eterna peteca entre a ambição e a vocação”.

Então o professor pergunta: E não somos todos essa peteca entre o que queremos e o que podemos?

17 Agosto, 2008

Melhor prof. do mundo

Arquivado em: na USP — by vidaeficcao @ 5:40 pm
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Ok, reconheço que não conheci todos os professores do mundo. Mas, do meu mundo, ela é imbatível! Não digo que seja perfeita (isso ninguém é, claro), mas eu só posso fazer elogios. Afinal, foi por causa dela que não desisti do francês.

Já estudei inglês, espanhol e agora, me esforço com o francês. Posso garantir uma coisa: aprender outra língua é muito chato. Sempre! Ficar decorando conjugações de verbo, nomes de comidas, objetos, etc. Tenho tanta coisa mais interessante pra fazer com o meu tempo…

Aí aparece uma professora doutora toda graduada que faz os estudantes universitários assistirem a filmes, que grava zilhões de cds de múcisa e os distribui pela classe, que marca aulas extra para quem quiser ganhar fluência oral, que pede trabalhinhos todas as semanas, todos sem o peso das provas bimestrais e das grandes listas de regras a decorar. No fim do semestre, teve até aula prática (e degustação) de culinária francesa.

Graças a ela, aprendi a gostar da língua francesa – e também da França.

14 Agosto, 2008

NA USP

Arquivado em: na USP — by vidaeficcao @ 11:56 pm
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Depois de um longo inverno na França, voltei às aulas na USP.
Tudo continua igualzinho! Mas uma coisa hoje me chamou atenção: a vontade dos alunos em assistir à aula.

Não, não estou sendo irônica.

Cheguei 15 minutos atrasada e a sala já estava lotada. Na verdade, mais que lotada porque as carteiras tomavam o espaço de tal forma que o professor quase não conseguia se mexer. Tive de caçar uma carteira pra mim, que coloquei no último lugar vago ainda dentro dos limites da classe, interrompendo a entrada e saída. Daí chegam mais duas pessoas… elas colocam as carteiras pro lado de fora pra ao menos escutar a aula. Então aparece mais uma menina. O que fazer? ela se senta no chão, espremida entre as carteiras.

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