Famoso pelo romance O Vermelho e o Negro, Stendhal deixou um imenso romance inacabado: Lucien Leuwen. Projeto abandonado, falta revisão e falta final – mas mesmo assim sobram leitores.
Escrito em pleno período Romântico, o livro tem características consideradas precursoras do Realismo. Primeiro, por causa da linguagem clara e direta. Stendhal contava – não sei se anedota ou verdade – que ele treinava seu estilo “sem estilo” lendo leis.
O romance também nos remete ao Realismo pela crítica ácida que faz da sociedade de seu tempo. Praticamente todo mundo é corrupto e hipócrita. Lucien Leuwen é um herói ingênuo que aprende durante seu percurso de 800 páginas a ser corrupto. Mas ele rejeita a hipocrisia.
O lado mais rômantico (da escola Romantisco) do livro é a abordagem do amor. O amor verdadeiro é sublime e idealizado. O amor que Lucien sente pela Madame de Chasteller é o que o faz tentar ser melhor. Só o amor salva! Mas será que o amor consegue salvar alguém num mundo tão corrupto?
É aí que a trama chega a um impasse. Parece que o autor não se decide entre Realismo e Romantismo. Claro, existem milhões de teorias sobre por que Stendhal abandonou o texto. Para mim, foi apenas por indecisão.