Brasileira é torturada por neonazistas na Suíça: assim sai a manchete no primeiro dia, sobre o caso da advogada Paula Oliveira.
No segundo dia, preparamos um extenso material sobre xenofobia, íamos pegar mais pesado, denunciar o descaso das autoridades da Suíça… quando vem o primeiro sinal de alerta: parece que a história não é bem essa, dizem fontes diplomáticas brasileiras, de Zurique e de Brasília. Nada é dito oficialmente, mas nosso discurso é obrigado a mudar.
Publicamos algo como “Suíça questiona versão de advogada brasileira” – e todos os “atacada por neonazistas” viram “supostamente atacada”; “abortou” é substituído por “teria abortado”.
Viramos então alvo de críticas: que absurdo, compactuamos com a omissão suíça! Por que alguém invetaria tal história?!, nos perguntam. Eu não sei, não tenho como saber, e não cabe a mim especular. O fato é que publicamos as informações que temos.
Um amigo me diz: pode ser que a Suíça, preferindo evitar manchaas à sua reputação, tenha coagido as autoridades brasileiras a negar tudo! Afinal, eles têm dados de contas de secretas de centenas de políticos brasileiros, têm os nossos poderosos em suas mãos…
A suposição me parece absurda, mas confesso que tão absurda quanto uma mulher fingir um ataque por neonazistas e um aborto… Mas, na falta de informações que suportem o segundo absurdo, ficamos mesmo com o primeiro absurdo.
E no terceiro dia, também a imprensa brasileira passa a duvidar do caso: Evidências apotam para autoflagelação.