Vida e Ficção

15 Outubro, 2008

Livros sem fim 3: Lucien Leuwen, de Stendhal

Arquivado em: na Sorbonne — by vidaeficcao @ 11:05 pm
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Famoso pelo romance O Vermelho e o Negro, Stendhal deixou um imenso romance inacabado: Lucien Leuwen. Projeto abandonado, falta revisão e falta final – mas mesmo assim sobram leitores.

Escrito em pleno período Romântico, o livro tem características consideradas precursoras do Realismo. Primeiro, por causa da linguagem clara e direta. Stendhal contava – não sei se anedota ou verdade – que ele treinava seu estilo “sem estilo” lendo leis.

O romance também nos remete ao Realismo pela crítica ácida que faz da sociedade de seu tempo. Praticamente todo mundo é corrupto e hipócrita. Lucien Leuwen é um herói ingênuo que aprende durante seu percurso de 800 páginas a ser corrupto. Mas ele rejeita a hipocrisia.

O lado mais rômantico (da escola Romantisco) do livro é a abordagem do amor. O amor verdadeiro é sublime e idealizado. O amor que Lucien sente pela Madame de Chasteller é o que o faz tentar ser melhor. Só o amor salva! Mas será que o amor consegue salvar alguém num mundo tão corrupto?

É aí que a trama chega a um impasse. Parece que o autor não se decide entre Realismo e Romantismo. Claro, existem milhões de teorias sobre por que Stendhal abandonou o texto. Para mim, foi apenas por indecisão.

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