Vida e Ficção

27 Setembro, 2008

Livros sem fim 2: Mon Faust

Arquivado em: na Sorbonne — by vidaeficcao @ 12:19 am
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Paul Valery morreu já velho e deixou uma obra inacabada. Na verdade, são duas: o livro chamado Meu Fausto une duas peças teatrais.

Na juventude, Valery escreveu muito, especialmente poesias, mas depois passou muito tempo sem produzir nada. O Fasto do Valery é uma obra que, de certa forma, avalia toda sua obra. Aquela história de balanço de fim de vida. E de tanto questionar sempre,  e de tanto questionar tudo, no fim da vida Valery acabou questionando sua própria arte questionadora.

Ler Meu Fausto é  como entrar um beco sem saída. A impressão é que a obra é impossível de ser terminada. Não foi simplesmente que ele não conseguiu completar a obra antes de morrer. Ele poderia ter vivido muitos outros anos e provavelmente não encontraria fim para suas obras. Será que a sede humana por conhecimento não tem solução? De qualquer forma, haja água!

21 Setembro, 2008

HRW off records

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 4:15 pm
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Na quinta-feira, o doido do preisdente venezuelano, Hugo Chávez, fez mais uma vez o que ele sabe fazer melhor: causar.

O Human Rights Watch divulgou um relatório sobre a Venezuela, bem crítico, claro, e ele resolveu revidar. Correu para expulsar os executivos da entidade. José Miguel Vivanco e Daniel Wilkinson iriam voltar aos Estados Unidos na sexta de manhã, mas foram obrigados a embarcar num avião para São Paulo na noite de quinta.

A imprensa do mundo inteiro resolveu entrevistá-los. Lá fui eu atrás dos caras. E, apesar do absurdo da situação, eles não perderam o bom humor. Na confusão da expulsão, os militares arrancaram um botão da camisa do Wilkinson. Quando perguntei sobre isso, ele brincou: “Agora estou preocupado sobre como vou explicar para a minha mulher. Tenho mais medo dela que do Chávez”.

17 Setembro, 2008

Livros sem fim 1: Primeiro Homem

Arquivado em: na Sorbonne — by vidaeficcao @ 2:38 pm
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Até agora, eu só tinha lido livros escritos até o fim, editados, revisados. Mas lá na Sorbonne acabei estudando (e, obviamente, lendo) três obras que os autores não terminaram – e mesmo assim são considerados grandes obras.

O Primeiro Homem, de Albert Camus, é só o rascunho da primeira parte de uma trilogia prevista pelo autor. Camus morreu num acidente de carro, com o manuscrito do Primeiro Homem na pasta a seu lado – assim como o projeto de sua trilogia. A história publicada tem começo e fim, mas nos faz passar vontade de ler um restando inexistente. Pessoalmente, me deixa fantasiando sobre os dois outros livros que até existiram, mas apenas na imaginação do autor

Fora isso, há capítulos sem nome e várias alternâncias de nomes dos personagens. Esses “deslises” acabam por revelar aspectos biográficos de Camus – provalmente muito mais íntimos do que ele permitiria se tivesse revisado o texto. Sim, é quase uma invasão de privacidade, uma invasão à idéia primordial do escritor, a idéia geradora da ficção.  Ou seja, uma jóia rara! Algo que jamais se tem acesso nos livros terminados, editados, revisados.

11 Setembro, 2008

Para que serve a literatura?

Arquivado em: na Vida — by vidaeficcao @ 1:01 am
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Servir no sentido mais imediato da palavra, a literatura na serve para nada. Você não se alimenta dela, você não consegue um emprego melhor com ela, você não faz amigos por causa dela. Mesmo aprender, nem sempre dá pra aprender muito com ela, porque nos livros de história é tudo de mentirinha – para saber mais coisas, melhor mesmo ler um livro didático, uma biografia, livros de História.

Ah, mas como eu prefiro as histórias com o “h” minúsculo! Abro mão da suposta Verdade pela verossimilhança. A ficção é quase sempre mais interessante que a vida!

8 Setembro, 2008

O leitor francês

Arquivado em: na Sorbonne — by vidaeficcao @ 11:31 pm
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As editoras francesas reclamam que cada vez mais mais gente lê apenas eventualmente. São os “leitores de férias”. O grupo de “leitores de verdade” só tem diminuído. Aí eu pensei, poxa, que triste, até na França as pessoas estão lendo pouco. Mas aí vem o “detalhe”: o que é um leitor de verdade? Bom, para efeito de pesquisas e estatísticas, o leitor é aquele que lê 20 livros ou mais por ano! Menos que isso, na França você é considerado um leitor eventual.

Se no Brasil a gente tiver uns 10 “leitores de verdade” pelo padrão francês, eu ficaria mais que satisfeita. Aí, me vêm à cabeça dois ditados. O primeiro pros franceses: Tem gente que reclama é de barriga cheia. O outro, serve de consolo pra mim, que nunca cheguei nem aos 15 livros em um ano: Em terra de cego, quem tem um olho é rei – então continuo me considerando uma leitora.

6 Setembro, 2008

Seis lições de felicidade, por Tal Ben-Shahar

Arquivado em: na Vida, no Jornal — by vidaeficcao @ 9:02 pm
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Um vez fiz uma matéria com um professor de Psicologia Positiva de Harvard – em toda a universidade, foi a matéria foi a que mais teve alunos inscritos em 2006.

Segundo ele, a Psicologia positiva é um ponto de encontro das lições dos livros de auto-ajuda (mas na auto-ajuda padrão não há fundamentação científica) com o conhecimento acadêmico da psicologia (mas que em geral não tem aplicação prática na vidas das pessoas comuns).

Daí, ele me passou 6 lições básicas para ser feliz:

1 – Permita-se ser humano
Aceite suas emoções, mesmo as ruins, como naturais. Nossa cultura é obcecada pelo prazer, mas há algo de errado conosco se, de vez em quando, não sentirmos tristeza ou ansiedade.

2 – A felicidade está na junção de prazer e significado
O ideal é fazer atividades, em casa e no trabalho, que sejam ao mesmo tempo prazerosas e pessoalmente significativas. Se não for possível, reserve algumas horas na semana para elas.

3 – A felicidade é um estado de espírito
Após supridas as necessidades básicas, bens materiais e status pouco influenciam na felicidade. O que importa é o foco que escolhemos, nossa interpretação dos eventos externos.

4 – Simplifique
Somos muito ocupados, tentamos fazer mais e mais coisas no mínimo tempo possível. A quantidade influencia a qualidade. Comprometemos nossa felicidade tentando fazer coisas demais.

5 – Lembre-se da ligação corpo-mente
O que fazemos – ou deixamos de fazer – com nossos corpos influencia nosso espírito. Exercícios regulares, sono adequado e boa alimentação levam à saúde tanto física como mental.

6 – Expresse gratidão
Diga “obrigado” sempre que possível. Aprenda a apreciar as coisas maravilhosas que a vida oferece, sejam elas uma comida gostosa ou as pessoas que amamos, a natureza ou um sorriso.

5 Setembro, 2008

Presidente dos EUA: profissão perigosa

Arquivado em: no Jornal — by vidaeficcao @ 8:14 pm
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Na minha segunda reportagem na editoria nova, cometo logo um erro de informação. Um leitor atento e simpático me mandou um email avisando. Ele aproveitou também para falar do grande número de presidente americanos que morreram enquanto exerciam o cargo.

Ao todo foram 8, sendo que 4 morreram de causas naturais William Harrison, Zachary Taylor, Warren Harding e Franklin Roosevelt) e 4, assassinados (James Garfield, Abraham Lincoln, William McKinley e John Kennedy)

E ainda 7 vices faleceram enquanto exerciam seu, digamos, cargo(?)* de vice. Foram George Clinton (pres. James Madison), Elbridge Gerry (pres. James Madison), William King (pres. Franklin Pierce), Henry Wilson (pres. Ulysses Grant), Thomas Hendricks (pres. Grover Cleveland), Garret Hobart (pres. William McKinley) e James Sherman (pres. William Taft).

De qualquer forma, ser presidente ou vice dos EUA me parece uma profissão bem perigosa. Obama e McCain que se cuidem.

* vice-presidente é o cara que não faz nada além de esperar. isso lá é cargo?! mas também não encontrei nome melhor

2 Setembro, 2008

Receita de crepe – lição fácil e gostosa

Arquivado em: na Sorbonne, na Vida — by vidaeficcao @ 10:37 pm
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Não dá pra falar da França sem falar da culinária francesa. Mas, ao contrário do que parece, nem todo prato típico francês é refinado e difícil de preparar. A lição número 1, sem dúvida, é o crepe.

Ingrédients
* 250 g de farine (farinha)
* 5 œufs (ovos)
* ½ litre de lait (leite)
* 1 cuillère de rhum (rum, mas serve outra bebida qualquer)
* 100 g de beurre (manteiga)
* une pincée de sel (pitada de sal)
* une pincée de sucre (pitada de açúcar)

é só bater tudo no liquidificador e deixar descansar um pouquinho antes de jogar na frigideira – em geral, uma concha pequena por vez. Ah! a frigideira tem de estar bem quente, com um cheirinho de manteiga pra massa desgrudar quando ficar douradinha.

O recheio salgado tradicional é presunto e queijo; o doce, nutela. Mas dá para usar a criatividade!

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