Vida e Ficção

26 Agosto, 2008

O mito de Fausto

Arquivado em: na Sorbonne — by vidaeficcao @ 11:52 am
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Das disciplinas que eu escolhi para cursar na Sorbonne, a melhor foi Literatura Comparada. Estudei a trágica história do Fausto de Marlowe (1604), o Fausto de Goethe (1839), o Dr. Fausto de Thomas Mann (1947) e o “Meu” Fasto de Paul Valery (1946). Sei também que existe um Fausto de Fernando Pessoa, mas esse eu ainda não tive a oportunidade de ler.

Esse tal dr. Fasuto, um sábio que faz um pacto com o diabo para poder dominar todo o conhecimento, é na verdade um mito alemão, algo como o nosso Saci. Um personagem mais ou menos definido na imaginação popular e que alguns autores tomam emprestado como personagem de suas próprias histórias. Não é um mito a se desprezar… ele já existe há mais de 400 anos e continua sendo atual.

Fausto é o mito do desejo desenfreado de saber – e da responsabilidade sobre os nossos atos. Ele é uma espécie de herdeiro de Ícaro. O Fausto, seja ele descrito por quem for, nunca volta atrás e quebra o pacto. Para ele, não existe possibilidade de retorno. Fausto é também um mito sobre o tempo e a morte.

Os Faustos de hoje vêm do progresso científico. Tudo bem que o homem não é mais o centro do mundo, como ainda se pensava na época de Marlowe apesar da “teoria” de Copérnico, mas a inteligência humana permite ao homem “dominar” a natureza. E assim, uma vez mais, o homem se faz o centro do universo. E a velha questão da moralidade continua a nos perseguir: qualquer coisa é válida em nome do conhecimento e do “progresso”?

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